O especialista em comportamento alimentar e fundador do Método LP, Lucas Peralles, parte de uma constatação para discutir o efeito sanfona: aqueles que abandonam uma dieta raramente enfrentam dificuldades por falta de informação. Nas redes sociais, há uma abundância de cardápios de 21 dias, desafios de jejum, listas de alimentos proibidos e promessas de resultado em poucas semanas, todos acessíveis com alguns toques na tela.
No entanto, buscas como “não consigo emagrecer”, “dificuldade para emagrecer” e “por que não consigo manter dieta” ainda aparecem com frequência entre as dúvidas de quem tenta mudar o corpo. O ciclo se repete com poucas variações: restrição severa, perda rápida de peso, cansaço, desistência e reganho, muitas vezes com mais gordura do que antes.
O padrão em questão está associado ao metabolismo, ao comportamento e à rotina. É importante distinguir entre a adoção de uma dieta por um período de semanas e a formação de hábitos que perduram ao longo dos anos. Abaixo, serão apresentadas as razões pelas quais as estratégias que se tornam virais tendem a falhar, bem como os fatores que contribuem para um emagrecimento sustentável na prática.
Por que dietas restritivas alimentam o efeito sanfona?
Planos alimentares muito restritivos podem levar a uma perda de peso rápida, pois reduzem significativamente a ingestão de energia. Parte dessa perda pode ser atribuída à água e à massa muscular. Com a redução da massa muscular, o gasto energético diminui. Paralelamente, a fome se intensifica, o cansaço interfere no treino e a restrição passa a competir com trabalho, família, estresse e vida social.
O resultado é um plano que depende de força de vontade constante. Aqueles que tentam resolver em duas semanas o que foi construído ao longo de anos costumam sentir esse peso primeiro. Segundo o nutricionista esportivo Lucas Peralles, esse perfil imediatista precisa justamente do oposto do que procura: menos complexidade, mais consistência, prazos realistas e acompanhamento semanal do progresso.

Além disso, é importante considerar o impacto emocional. Restrições rígidas aumentam a sensação de proibição, e a alimentação passa a ser vivenciada como falha ou recompensa. Aqueles que utilizam a comida para aliviar sintomas como ansiedade, cansaço ou frustração dificilmente sustentarão um plano que ignore essa relação, pois o gatilho continuará presente mesmo quando o cardápio for modificado.
Consistência alimentar e autonomia no lugar da dieta perfeita
A solução para o efeito sanfona está em manter um padrão, não em mudar a dieta. Uma rotina alimentar seguida por meses tende a dar mais resultado do que um plano perfeito seguido por poucos dias. Por isso, para emagrecer, é preciso estabelecer metas pequenas, previsíveis e adaptadas à vida real.
Essa lógica fundamenta o Método LP, desenvolvido por Lucas Peralles a partir de mudanças construídas gradualmente: aprender a se alimentar melhor sem receio excessivo, criar uma rotina que se encaixe no cotidiano, entender o exercício como um cuidado e desenvolver consistência sem extremos. Segundo a metodologia empregada, é desnecessário que o indivíduo atinja a perfeição em suas ações; o mais importante é a repetição de atos que demonstrem eficácia.
A autonomia alimentar complementa esse raciocínio. Em vez de depender de supervisão constante, o paciente aprende a identificar gatilhos, a diferenciar fome física de impulso emocional e a corrigir o curso em 24 a 72 horas após um fim de semana fora do planejado, sem pânico e sem compensação extrema.
Emagrecimento sustentável começa pelo comportamento
O efeito sanfona é frequentemente interpretado como uma falta de força de vontade. No entanto, geralmente representa uma estratégia que excedia os limites da rotina diária. Em orientação a seus pacientes, o nutricionista Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva na cidade de São Paulo, recomenda que indivíduos que enfrentam desafios para perda de peso concentrem seus esforços em identificar alimentos que podem ser consumidos com frequência, em vez de focar em alimentos que podem ser tolerados por um período limitado.
Na Clínica Peralles, o acompanhamento contínuo, com ajustes ao longo do processo, visa evitar que o paciente permaneça sozinho com um plano em mãos nos momentos em que a rotina se torna mais exigente e a motivação diminui. Os setores da nutrição, medicina, treinamento e estética são interligados, permitindo a correção de estratégias antes que ocorra o abandono.
Essa é a lógica aplicada por Lucas Peralles, criador do Método LP, ao tratar o emagrecimento com saúde: uma transformação construída, e não apressada. Quando o comportamento se altera, os resultados deixam de depender de dietas virais e passam a fazer parte da vida real.