O Dr. Vinicius Rodrigues lembra que, durante a vacinação contra a covid-19, sociedades de radiologia passaram a orientar que as mulheres informassem a data e o braço da vacina antes da mamografia. O motivo era um achado que se tornou frequente nos exames: linfonodos aumentados na axila do lado vacinado. O episódio ilustra bem uma ideia que precisa ser revista, a de que todo linfonodo aumentado na axila é sinal de câncer de mama.
O que são os linfonodos e por que aumentam
Os linfonodos, popularmente chamados de ínguas ou gânglios, são pequenas estruturas do sistema de defesa do organismo. Funcionam como filtros que retêm agentes estranhos e ativam as células responsáveis pela resposta imune. A axila concentra um grupo importante deles, que recebe a drenagem da mama, do braço e de parte do tórax.
Quando o corpo reage a uma infecção, inflamação ou estímulo como uma vacina, os linfonodos da região ficam mais ativos e aumentam de tamanho. O fenômeno, chamado de reação linfonodal, é temporário e costuma regredir em algumas semanas, assim que o estímulo desaparece. Em alguns casos, o linfonodo pode ficar dolorido ao toque, sinal que, ao contrário do que muitos imaginam, costuma indicar inflamação benigna.
Causas benignas são as mais frequentes
Infecções de pele no braço, na mão ou na própria axila, como foliculite, feridas e arranhões, estão entre as causas mais comuns. Inflamações provocadas por depilação, desodorantes irritantes ou pequenos cortes também podem levar ao aumento.
Doenças que afetam o organismo como um todo, como infecções virais, doenças autoimunes e algumas condições inflamatórias, podem aumentar linfonodos em várias regiões ao mesmo tempo. De acordo com Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o contexto clínico, incluindo sintomas recentes, vacinas e lesões na pele, costuma explicar boa parte desses achados.
Como a ultrassonografia diferencia os achados
O exame de imagem mais útil para avaliar a axila é a ultrassonografia. Um linfonodo normal ou reativo tem formato alongado, contornos regulares e um centro com gordura, chamado de hilo, bem visível. A espessura da camada externa, o córtex, também é observada.
Alguns sinais elevam a suspeita: formato arredondado, córtex espessado de maneira irregular, perda do hilo gorduroso e alterações no fluxo sanguíneo. Quando essas características aparecem, sobretudo associadas a um nódulo na mama, a investigação prossegue com biópsia guiada por ultrassom.
Quando o linfonodo merece investigação?
Um linfonodo que persiste por mais de quatro a seis semanas sem causa aparente deve ser reavaliado. O mesmo vale para aquele que cresce progressivamente, fica endurecido, aderido aos tecidos vizinhos ou surge acompanhado de alterações na mama, como nódulo, retração da pele ou secreção com sangue.
Sintomas gerais, como febre prolongada, perda de peso sem explicação e suores noturnos, também justificam avaliação, porque podem estar ligados a outras doenças, incluindo linfomas. Na leitura de Vinicius Rodrigues, a combinação entre exame físico, histórico e imagem é o que define se basta acompanhar ou se é preciso investigar.
O papel dos linfonodos no câncer de mama
No câncer de mama, os linfonodos da axila são o primeiro local para onde as células tumorais costumam se espalhar. Por isso, a avaliação da axila faz parte do estadiamento da doença e orienta o tratamento. A técnica do linfonodo sentinela, que retira apenas o primeiro linfonodo da cadeia para análise, evita em muitos casos a retirada completa dos gânglios.
Ainda assim, encontrar um linfonodo aumentado isolado, sem alteração na mama, é situação em que causas benignas predominam. Conforme pondera Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, informar ao serviço de imagem vacinas recentes, infecções e cirurgias no braço ajuda o radiologista a interpretar o achado corretamente e evita convocações e biópsias desnecessárias.